Você já percebeu como o medo de não ter dinheiro desestrutura muitos pilares da nossa vida?
Nas duas últimas sessões com uma paciente falamos sobre o medo da escassez financeira. E esse tb tem sido um tema ativo em algumas trocas recentes.
Muitas vezes, sem perceber, entramos no piloto automático de produzir sem parar. O medo de faltar nos prende em uma lógica de viver apenas para o trabalho, obrigações com a casa, família, etc… e aos poucos vamos nos afastando daquilo que nos energiza, dá prazer e nos revitaliza.
É claro que esse medo é válido. Estar em estado de privação gera sofrimento real e nos tira diversos alcances – vivemos em um cenário capitalista. Mas, quando o medo se torna o centro da nossa vida, ele começa a gerar outras escassezes: de alegria, de descanso, de leveza, de conexão, de lazer, de socialização, e por aí vai.
E quando não desfrutamos da vida, o corpo cobra. O celular vira um escape. A procrastinação aparece. A concentração vai embora. De repente, você está rolando memes sem nem entender o porquê. Isso acontece porque o cérebro pede por hormônios de prazer e felicidade — que fica em segundo plano quando a vida se resume em obrigações.
O ponto é refletir: será que não estamos sendo rígidos demais com a gente? E de onde será que vem essa rigidez? Faz sentido rever? Porque no fim, não se trata de abrir mão das responsabilidades, mas de encontrar espaço para aquilo que traz leveza, prazer e presença no dia a dia.
Produzir é parte da vida, mas desfrutar também precisa ser, sabe?