O que acontece depois do incômodo?

Segundo o dicionário, incômodo é aquilo que causa desconforto, perturbação ou mal-estar.

Na TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), podemos entender o incômodo como um sinal interno, um alerta de que algo não está alinhado com nossos valores, necessidades ou limites. Ele é como um dado que o nosso corpo e a nossa mente oferecem para mostrar: "ei, aqui tem algo que precisa ser olhado".

Eu gosto de pensar no incômodo como um sapato apertado.

Ele está ali, pegando no seu dedinho, te apertando. Se você insiste em usá-lo, ele começa a machucar. Pode gerar bolha, encravar a unha, transformar o simples ato de andar em dor constante.

Diante disso, temos escolhas:

• seguir insistindo e transformar o incômodo em um machucado maior,

• ou agradecer pelo tempo em que aquele sapato nos serviu e reconhecer que ele já não nos cabe mais. Então, escolher um novo — mais confortável, mais coerente com quem somos hoje.

O incômodo, no fundo, nos leva à ação. Muitas vezes penso: bendito o incômodo que me atormentava. Porque, quando percebo que ele está apontando para um limite interno, consigo respeitá-lo.

E algo mágico acontece quando consigo sair do lugar que me gerava incômodo: depois da fase de adaptação sem ele (porque, por mais doloroso que fosse, ele também era familiar), as coisas passam a fluir.

Quantas histórias você já ouviu de pessoas que não conseguiam sair de um emprego abusivo e, de repente, depois da demissão, surge uma nova oportunidade?

Os caminhos se abrem quando nos libertamos do que nos drena.

E a ciência explica: segundo a neurociência e a TCC, quando deixamos situações desgastantes, reduzimos os níveis de estresse crônico e, com isso, o cérebro passa a funcionar melhor. Há aumento de clareza cognitiva, flexibilidade mental e motivação.

É como se liberássemos recursos internos antes consumidos pela preocupação, abrindo espaço para enxergar novas possibilidades e agir de forma mais criativa.

Em outras palavras: quando o incômodo se transforma em escolha, abrimos espaço para o novo.