Outro dia, conversando com uma amiga pansexual, refletimos sobre como é incrível reconhecer e aceitar-se simplesmente como alguém que gosta de pessoas. Há uma beleza enorme nessa fluidez, nesse desapego aos rótulos da sexualidade.
Mas, ao mesmo tempo, isso é muito criticado dentro da própria comunidade LGBTQIAPN+. O resultado? Muitas pessoas deixam de viver alguns desejos.
Exemplo: mulheres que se assumem lésbicas ou homens que se assumem gays sentem desejo — e às vezes até se relacionam — com outros gêneros, mas ainda se apresentam como gays ou lésbicas por medo de parecerem uma farsa.
Outros recorrem a justificativas como: "ah, mas é muito raro eu ter interesse por pessoas de outro gênero", como se a bissexualidade tivesse que ser 50%/50%.
Eu mesma já vivi esse conflito.
Na adolescência, eu já sentia desejo por mulheres, mas me castrava e me assumia como heterossexual — fruto da heteronormatividade e da minha criação na igreja católica. Depois de anos no armário, saí dele com os dois pés na porta e me assumi no meu primeiro namoro homoafetivo.
Durante um bom tempo, me relacionei apenas com mulheres. E pensei: "sou lésbica".
Até que, quando me relacionei com um homem novamente, veio a crise: "como assim? Então sou bi?".
Depois, me defini como "bissexual homoafetiva": raramente me envolvia com homens, mas só me imaginava em um relacionamento sério com mulheres. Até que conheci um cara incrível, com quem faria sentido me relacionar romanticamente.
(E sim, esse é o caos da mente bi/pan. 😅)
Hoje, depois de tantas voltas, o que me liberta é compreender e assumir que eu gosto de pessoas. Sem me aprisionar em rótulos, sem carregar o peso dos julgamentos. Apenas vivendo plenamente minha sexualidade.
Sair do armário já foi um processo doloroso demais para que agora eu me coloque em novas gavetas que não me cabem.
E eu também não desejo isso pra você.