De forma não consciente, vivemos constantemente o medo da morte.
O medo da finitude, do desconhecido, do incerto.
É tão assustador que, geralmente, não falamos sobre isso. Tratamos a morte como uma palavra a não ser dita, um assunto a não ser tocado. Temos medo dos traços da velhice, dos cabelos brancos, daquilo que parece nos aproximar do fim - embora ele seja imprevisível.
A indústria nos vende produtos para prevenir o envelhecimento. Os procedimentos estéticos vão escondendo os traços naturais do tempo. O capitalismo nos leva para a necessidade de ter. As desigualdades levam para a necessidade de sobreviver. O sistema como um todo é adoecedor.
Mas, se a morte é tão assustadora, então, como eu tenho vivido?
Como eu tenho aproveitado meu - sagrado - tempo de vida?
Onde eu tenho dedicado a minha energia?
Como eu tenho cuidado do meu corpo, da minha mente, da minha espiritualidade?
Quais sonhos tenho realizado?
Como eu tenho aplicado a minha verdade, a minha essência?
Quais sentimentos eu tenho nutrido?
Quais relações eu tenho construído?
Quais sensações eu tenho experimentado?
O que eu tenho aprendido?
O que eu tenho feito para sentir a minha alma pulsar? Meu corpo se sentir ativo?
Temos tanto medo da morte, mas, muitas vezes, apenas existimos ou sobrevivemos ao invés de, verdadeiramente, viver.
Passamos a vida esperando pelo fim do dia, pelo fim de semana, pelo fim do ano, pelas férias, pela aposentadoria. Como se a vida fosse um "liga e desliga". Mas, com ou sem prazer, estamos vivos durante todo o tempo.
No final, a vida acontece a cada fração de segundo.